Análise de Conjuntura: A Primeira Semana Legislativa e o Termômetro Eleitoral de 2026
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Por Leonardo Volpatti, Sócio da Volpatti Advogados
O ano legislativo de 2026 começou, e com ele, a intensificação das articulações para a corrida presidencial. Em um ano eleitoral, compreender a conjuntura política é uma tarefa decisiva para executivos e gestores. As decisões tomadas em Brasília e o sentimento das ruas podem impactar diretamente o cenário das empresas e organizações.
Para traduzir este cenário, a Volpatti Advogados analisou a mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta semana, que funciona como um termômetro preciso da opinião pública. Apresentamos aqui os principais insights para tomadores de decisão.
Sumário do cenário atual
A pesquisa revela um quadro de desgaste contínuo da popularidade do governo. A desaprovação (49%) supera a aprovação (45%), e a polarização se acirra. O dado mais alarmante para o Planalto é a forte erosão no eleitorado independente, grupo crucial para a definição do pleito.
O sentimento geral é de cautela: 55% da população acredita que o país está na direção errada. As principais preocupações dos brasileiros são violência, questões sociais e corrupção, temas que devem pautar os debates no Congresso. Em contrapartida, há uma lenta, porém gradual, melhora na percepção econômica, criando um paradoxo que adiciona complexidade ao cenário.
Para as empresas, a conjuntura exige atenção redobrada. A instabilidade política pré-eleitoral pode afetar a confiança do investidor e as decisões de consumo. A seguir, detalhamos os pontos de força e fraqueza do governo, as ameaças e oportunidades no horizonte.
Análise estratégica do governo: Onde Estão os Riscos e as Oportunidades?
Para facilitar a visualização do cenário, compilamos uma análise SWOT (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças) do governo federal, com base nos dados da pesquisa.
Forças X Fraquezas
Base de Apoio Sólida: Coesão entre eleitores mais à esquerda garante um piso de popularidade.
Alta Rejeição: Desaprovação consolidada em 49% e 57% do eleitorado não deseja a continuidade do governo.
Programas Sociais: O Bolsa Família segue como um pilar de sustentação, com 60% de aprovação entre beneficiários.
Fuga do Centro: Perda crítica de apoio no eleitorado independente, onde a desaprovação chega a 52%.
Melhora na Percepção Econômica: Tendência positiva na expectativa econômica futura e alívio na percepção de inflação.
Desconexão com Segmentos Chave: Forte desaprovação em estratos de maior renda (60%), maior escolaridade (62%) e evangélicos (61%).
Oportunidades X Ameaças
Janela da Economia: A melhora na percepção econômica, se consolidada, pode reverter a queda de popularidade.
Polarização e Teto de Votos: A alta rejeição mútua entre os polos indica um teto de crescimento para ambos, afunilando a disputa.
Oposição Fragmentada: A direita ainda não parece unificada em torno de um único nome para a disputa.
Competição Acirrada: A diferença no 2º turno caiu de 16 para 5 pontos em seis meses, sinalizando uma eleição imprevisível.
Massa de Indecisos: O alto percentual de eleitores que votariam branco/nulo (cerca de 17% no 2º turno) é um campo aberto.
Agenda de Preocupações: As prioridades da população (Violência, Questões Sociais) não são o ponto forte da agenda governamental.
O Paradoxo brasileiro: Economia melhora, política piora
A análise revela um paradoxo interessante: enquanto a percepção sobre a economia mostra sinais de melhora gradual (com 43% de otimismo para os próximos 12 meses), a avaliação política do governo segue em trajetória de desgaste.
Este descompasso é um fator de risco. A recuperação econômica por si só pode não ser suficiente para reverter a impopularidade se não houver uma conexão com as principais preocupações do cidadão, como violência e questões sociais. Para executivos e gestores, isso significa que o humor do consumidor e o ambiente de negócios podem não acompanhar linearmente os indicadores macroeconômicos.
Implicações para o ambiente de negócios
Com o início dos trabalhos no Congresso e a proximidade da campanha, o aumento do risco político se traduz em ameaças concretas:
Volatilidade: Um cenário eleitoral acirrado aumenta a volatilidade dos mercados e a incerteza sobre a agenda econômica do próximo governo, o que tende a adiar decisões de investimento.
Instabilidade: A polarização eleva o risco de instabilidade social e questionamentos, afetando a operação das empresas e a confiança do consumidor.
Paralisia Legislativa: A disputa política pode deixar em segundo plano a aprovação de reformas estruturais importantes para o ambiente de negócios.
O que fazer diante deste cenário?
Na Volpatti Advogados, recomendamos uma postura proativa:
Monitoramento Contínuo: Acompanhar de perto o cenário político e as pesquisas de opinião é fundamental.
Planejamento de Cenários: Desenvolver planos de contingência para diferentes resultados eleitorais, avaliando os impactos em regulação e política tributária.
Gestão de Risco: Adotar políticas de gestão de caixa conservadoras e considerar estratégias para mitigar riscos de volatilidade.
O ano de 2026 exigirá das lideranças empresariais não apenas uma gestão eficiente de seus negócios, mas também uma leitura apurada e estratégica do complexo cenário político brasileiro. Estar preparado é a melhor forma de navegar na incerteza.
Esta é uma análise de conjuntura elaborada por Leonardo Volpatti, sócio da Volpatti Advogados, com base em dados públicos da pesquisa Genial/Quaest de fevereiro de 2026.





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