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Por Que 48% dos CEOs Agora Colocam RelGov na Sala de Reuniões?

  • Foto do escritor: Equipe Butike Comunicação
    Equipe Butike Comunicação
  • 9 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Artigo escrito por Leonardo N. Volpatti 



Imagine o seguinte cenário: uma nova regulação, surgida aparentemente do nada, coloca 30% do EBITDA da sua empresa em risco. Não se trata de um exercício de futurologia, mas de uma realidade cada vez mais comum para líderes de negócio. Um estudo da McKinsey & Company confirma que, para a maioria das indústrias, quase um terço dos lucros está diretamente vulnerável a decisões governamentais [1]. No setor bancário, esse número salta para mais de 50%. Diante de um impacto tão massivo, a pergunta que todo C-level deveria se fazer não é se o governo vai impactar seu negócio, mas como sua empresa está preparada para transformar esse risco em oportunidade.


Por muito tempo, a área de Relações Governamentais (RelGov) foi vista como um centro de custo, uma função de suporte reativa e, muitas vezes, isolada da estratégia central. Era o time acionado apenas em momentos de crise. Essa era acabou. Hoje, ignorar o ambiente político e regulatório é uma falha estratégica que nenhuma empresa pode se permitir.


A Tempestade Perfeita: Por que o RelGov se Tornou Estratégico?

A ascensão do profissional de Relações Governamentais ao C-Suite não é um acaso, mas uma resposta direta a três forças transformadoras que redesenharam o cenário de negócios global:


  1. Complexidade e Polarização: O ambiente regulatório nunca foi tão denso e o cenário político tão polarizado. Navegar nesta realidade exige antecipação e uma análise sofisticada de riscos. O recorde de US$ 4,4 bilhões em gastos com lobbying nos EUA em 2024 é um sintoma claro de que as empresas estão investindo pesado para ter sua voz ouvida e proteger seus interesses [3].


  1. A Centralidade do ESG: A agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) deixou de ser um tópico para relatórios de sustentabilidade e passou a ser um pilar da estratégia de negócios. O profissional de RelGov moderno é a ponte entre as metas de sustentabilidade da empresa e as políticas públicas, gerenciando ativamente a reputação e os riscos associados.


  1. Fragmentação Geopolítica: Em um mundo multipolar, as empresas operam em um tabuleiro de xadrez com diferentes regras. A necessidade de navegar entre regimes regulatórios distintos, como as novas regras de transparência da União Europeia [5], exige uma inteligência de negócios que vai muito além do comercial.


Os líderes mais atentos já perceberam essa mudança. Uma pesquisa de 2023 do Public Affairs Council (PAC) revelou que 48% dos executivos de public affairs já se reportam diretamente ao CEO [2]. Isso não é apenas uma mudança no organograma; é a confirmação de que a função ganhou um assento na mesa onde as decisões mais importantes são tomadas.


O Novo C-Suite Player: O Arquiteto Estratégico

Esqueça o estereótipo do lobista que apenas abre portas. O profissional de RelGov evoluiu para se tornar um arquiteto estratégico. Inspirado em abordagens multidisciplinares como as da Harvard Kennedy School [6], este novo player atua em três frentes cruciais:


  • Sensor de Oportunidades e Riscos: Ele não apenas monitora o Diário Oficial. Ele interpreta o ambiente externo, decodifica sinais fracos e traduz a complexidade política em inteligência acionável para o negócio.


  • Integrador de Agendas: Atua como um maestro, orquestrando as diversas áreas da empresa (jurídico, comunicação, operações, sustentabilidade) para garantir uma estratégia de engajamento coesa e consistente. Ele evita que a empresa fale com múltiplas vozes, o que poderia minar sua credibilidade [1].


  • Construtor de Valor e Legitimidade: O sucesso deste profissional não é medido apenas por vitórias legislativas, mas pela construção de confiança com stakeholders, pela melhoria da qualidade das políticas públicas e, fundamentalmente, pela criação de um ambiente de negócios onde a empresa possa prosperar com segurança e legitimidade [7].


O Desafio para o Brasil: Sair da reação para a proação

Enquanto essa sofisticação avança globalmente, o Brasil ainda tem um caminho a percorrer para consolidar essa visão estratégica. A boa notícia é que isso representa uma imensa oportunidade. As empresas e os profissionais que saírem na frente, adotando as melhores práticas internacionais e investindo em competências que unem visão de negócios, ciência política e comunicação, não estarão apenas se protegendo de riscos. Eles estarão construindo uma vantagem competitiva duradoura.


A pergunta final para todo líder de negócio é: o seu profissional de Relações Governamentais ainda é um operador tático ou já se tornou o arquiteto estratégico que o futuro dos seus negócios exige?



Referências

[1] Musters, R., Parekh, E. J., & Ramkumar, S. (2013). Organizing the government-affairs function for impact. McKinsey & Company.

[2] Public Affairs Council. (2023). Benchmarking Reports Reveal Public Affairs’ Growing Status.

[3] OpenSecrets. (2025). Federal lobbying set new record in 2024.

[4] Public Affairs Council. (2025). 2025 State of European Public Affairs Report.

[5] European Parliament. (2025). Third-country lobbying: increasing transparency and accountability.

[6] Fagan, M. (2015). Lobbying: Business, Law and Public Policy. Harvard Kennedy School.

[7] Mansbridge, J. (2018). A deliberative theory of interest representation. In J. J. Mansbridge, The politics of interests. Taylor & Francis.

 
 
 

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